domingo, 24 de fevereiro de 2008


A mulher da minha vida

Coloquei as mãos nos bolsos e o mundo inteiro girou dentro da minha cabeça. Era eu na iminência da mudança. O amor caminhava pelo desconhecido, ao meu encontro, para mudar tudo. Minha espera de anos me fez viver os amores errados. O tempo me mostrou que não há amor quando esse sentimento é unilateral. Agora era chegada a hora de tirar as mãos dos bolsos para abraçar o meu destino. Eu sorria para a mulher que mudaria a minha vida. E essa mulher me sorria – imensamente linda – com sua boca, olhos e coração. Quando me dei conta já alisava seus cabelos pretos e bebia nossa alegria na mesa de um bar. Foi assim que tudo começou a mudar e meus olhos retomaram um antigo brilho que, confesso, pensava não existir mais. É incrível como depois de apenas alguns dias de felicidade a vida já me parece mais doce e o ar me parece mais leve. É incrivelmente doce e leve estar feliz.

Eu diria que a mulher dos meus sonhos se tornou reflexo da minha vida de sonhos – de esperanças – que começou ainda cedo quando eu, ainda criança, andava pelas ruas do bairro da Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo. Eu pensava como eu seria quando fosse grande e, quando esse dia chegasse, quanto grande eu, realmente, seria. O garoto cresceu. Como diria o já falecido sambista João Nogueira: beijaram-me a boca e eu virei poeta. Mas minha poesia nunca foi o bastante. Todo poeta precisa de sua musa inspiradora. Ele escreve por ela e para ela – mesmo que suas palavras tenham significados para milhões de pessoas.

Mas agora a minha musa chegou. Depois de 31 anos que escrevi para as musas erradas – tenho a musa certa ao meu lado. Não me arrependo de nada. Escrevi sempre os sentimentos que acreditava. Fiz o melhor. Antes de ser poeta eu quis ser homem – ser responsável – ser alguém que minha família, meus amigos e, também, a minha amada tivessem orgulho. Antes um homem de verdade, depois um escritor. Esse sempre foi meu lema. Meus escritos sempre tiveram mais coração que qualquer outra coisa.

Valeu a pena esperar. Valeram a pena as dores pelo caminho. Valeram a pena todas as ilusões e todas as bobagens vividas e acreditadas durante o trajeto. Eu nunca achei que amar e, ao mesmo tempo, ser amado, fossem coisa fácil. Eu sabia que levaria muita chuva na cabeça antes dos primeiros raios solares chegarem brilhosos e bonitos. Caro leitor amigo do Comunique-se, nunca desista de ser feliz – mesmo que tudo pareça impossível e sem lógica. O amor não tem lógica mesmo, mas é possível e é lindo.

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